Sábado, Julho 23, 2011
Back to earth
Embaralho os algarismos. Faço as contas, matemática nos meus suspiros (todos os teoremas são mesmo belos). Estou frágil, fugitiva, pensando como insetos que pairam sobre as frutas e os cotovelos. Escolher palavras a contar aos poucos, um, dois, três, quarenta e cinco, evito envelhecer assim um pouco maluca, um pouco grogue mas aparentemente me oriento pelos cantos e no fim assusto-me como um filhote. Gostaria de fazer sentido: no dia em que me abandonarem as palavras como eu as abandonei, escreverei com números. Também eles não farão nenhum sentido, equações estéticas, desenho abstrato. Minha inteligência é mínima, parasita, confusa. Antes não conhecesse a amplitude - não alcanço, não percebo, não descanso. Olho para fora e me sinto só. Ordinariamente só. Infinitamente clichê e com um ar tolo de tristeza (quero meu papai, quero minha mamãe). Continuo a imaginar os parapeitos, suas altitudes, ou algo que possa impedir a queda livre: ar-condicionado no caminho vertical, um salto que falha, medo da dor, olhos ao vento. Quatro segundos para chegar ao chão, um apartamento por andar, na velocidade do elevador, tornozelos frágeis sobre o frio das esquadrias, joelhos que tremem, a morte na pedra portuguesa da entrada do edifício, conhecer o centro da terra, aterrissar de cabeça e tentar sobreviver.
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1 comentários:
por favor, nunca abandone as palavras, assim eu posso te apreciar mais um pouquinho.
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